Perspectiva
Um blogue sobre fotografia, por Luís Afonso

Canon EOS 5D Mark II * Canon EF 17-40mm f/4 L USM a 26mm (0,6sec@f/18, ISO 100)

Efeito de Estrela: Como conseguir


Recentemente, fui questionado como consegui registar o “efeito estrela” – sunburst ou starburst em inglês – nesta fotografia feita na Ponta de São Lourenço, Ilha da Madeira. Este efeito é um dos mais bonitos que se pode registar em fotografias que contenham fontes de luz fortes, tal como o sol, mas também um dos mais difíceis de conseguir no terreno sem a utilização de filtros próprios que permitem captura-lo de forma simples ou sem a utilização de técnicas de edição que os criam a partir de quase nada.

Na fotografia acima, o “efeito estrela” que se pode observar na foto foi conseguido sem a utilização de qualquer artifício e é aquele que se pode observar no ficheiro RAW capturado pela câmara. Para o conseguir seguem quatro dicas fundamentais a ter em conta:

  1. É fundamental que os filtros neutros ou polarizadores que esteja a utilizar, bem como a própria lente, estejam perfeitamente limpos e sem riscos. Quanto mais limpos estiverem os vidros que separam a fonte de luz do sensor, mais nítido e definido será o efeito. Nesta foto utilizei um filtro graduado de densidade neutra que tive o cuidado de limpar meticulosamente antes de fazer a foto.
  2. A abertura é o segundo factor fundamental para conseguir um efeito de qualidade. Deve ser a mais pequena que a sua lente conseguir. Este factor é facilmente comprovado se, ao olhar para uma fonte de luz forte, por exemplo o sol reflectido numa superfície espelhada ou as luzes da rua à noite, semicerrar os olhos. Vai ver que a fonte de luz começa a emanar um efeito de estrela. Aberturas inferiores a f/22 são as ideais. Já consegui este efeito com aberturas da ordem dos f/13, mas nunca tão definidas como a f/22.
  3. O terceiro factor, talvez o mais importante, tem a ver com a própria construção da lente e com o número de lâminas no diafragma que ela possui. A minha 17-40L, com as suas 7 lâminas, não consegue resultados tão perfeitos – ainda que na foto acima o resultado seja bastante aceitável – como por exemplo a 24-105L (8 lâminas). Com a minha antiga Sigma 10-20 e as suas 6 lâminas a tarefa era ainda mais difícil… Mas o efeito consegue-se, o número de pontas da estrela é que é muito menor e isso nota-se na definição e beleza do próprio efeito.
  4. Finalmente, o quarto factor tem a ver com a quantidade e intensidade da luz da fonte que se está a usar para reproduzir o efeito. Eu aconselho a tentar atenuar a intensidade da luz, “escondendo”, por exemplo, o sol por detrás de uma rocha, uma montanha, uma pessoa ou utilizando fontes de luz pequenas tais como os faróis de um carro à noite ou os candeeiros da rua numa foto onde a fonte de luz não seja o elemento dominante da foto. Sempre que a luz é mais difusa e com menor intensidade, o efeito resulta melhor. Mais uma vez, semi-cerrando os olhos pode ser um bom indicador para saber se o efeito vai funcionar ou não.

Tudo estes factores combinados produziram bons resultados. Agora é só sair para a rua e experimentar. Com um pouco de prática, vai ver que vai conseguir transformar as fotos em verdadeiras estrelas!

Importante: Nunca olhe directamente para o sol, especialmente num dia limpo e com o astro a emanar uma luz de intensidade forte. Isso pode provocar danos irreparáveis na sua visão e até no próprio sensor da sua máquina. Tenha isto em conta especialmente quando utilizar zooms de longo alcance.

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