Perspectiva
Um blogue sobre fotografia, por Luís Afonso

O fotógrafo, as galochas e o frontal. PNSAC, Abril 2013

Ganchos de Cabelo e Outro Material Fotográfico


A maior parte dos fotógrafos que conheço são viciados em equipamento fotográfico. Em especial, os do sexo masculino, habituados a coleccionar coisas e coisinhas desde pequenos.

Há uma atração especial e reconhecida entre os homens e as “coisas”, mais ou menos tecnológicas. Coisas pelas quais perdem tempo, dinheiro e muitas vezes a cabeça… Não vale a pena negar. Eu próprio me assumo como culpado enquanto espero na caixa do correio pelo CD número 150 da mesma obra do génio referido no meu artigo anterior. Mas, enquanto na minha casa são CDs e livros de fotografia, noutras são gadgets, iCenas, tralhas, todas elas fundamentais para o bem-estar e avanço do homem moderno.

Mas no que diz respeito à fotografia, não há dúvida que o equipamento fotográfico faz as delícias de todos, homens e mulheres. Isso explica-se facilmente pelo sucesso que têm os artigos sobre equipamento – ao contrário dos outros que escrevo e que dão trabalho a ler, incitando ao gasto de preciosos neurónios… –, as conversas infindáveis sobre Canons, Nikons e demais, as resmas de emails que recebo a pedir recomendações do que comprar. Tudo é suficiente para fazer bater mais forte os corações daqueles que praticam a fotografia com mais ou menos empenho.

Hoje, no entanto, não estou aqui para falar de equipamento fotográfico. Ou melhor, estou aqui para falar de equipamento, necessário para fazer a fotografia que faço, mas que não é fotográfico. Confuso? Vamos então esclarecer.

Há uns dias, em conversa com uma participante do curso de edição Fotonature, falávamos de coisas tão simples como de ganchos de cabelo e bolsas de fecho. Isto até podia ser uma conversa de miúdas, não fossem os intervenientes ambos fotógrafos e um deles do sexo masculino. Na verdade, conversávamos sobre fotografia e daquelas peças de equipamento que, não tendo um coração mecânico, são fundamentais para, no terreno, nos ajudar a fazer a fotografia que pretendemos.

Quais são então essas peças que trago sempre comigo dentro e fora da mochila?

calcas

O vestuário que usamos no terreno é fundamental para que nos possamos manter confortáveis enquanto fotografamos. É impossível fazermos o nosso trabalho bem feito, seja qual for a actividade, se sentirmos frio, calor ou estivermos encharcados. Na lista de peças de vestuário mais ignoradas pelos fotógrafos as calças estão certamente no topo. É frequente ver-se fotógrafos de calças de ganga que, depois de encharcadas, custam a secar e que são péssimas dissipadoras de calor. Devemos por isso ter em atenção estes factores na escolha das calças que levamos para o terreno. Materiais com tratamentos próprios para garantir impermeabilidade, repelência à água e aos raios de sol devem ser preferidos. Assim como a capacidade de elasticidade para garantirem liberdade de movimentos. Mais leves no verão, mais quentes no inverno, devemos procurar materiais e modelos diferentes para as duas grandes estações do ano existentes em Portugal. Algumas marcas que recomendo, pela sua boa relação preço/qualidade, são Craghoppers, Columbia ou Berghaus.

joelheiras

Outra peça de vestuário que deve andar sempre na mochila (ou pelo menos no carro) é um par de joelheiras. Imprescindíveis em vários tipos de fotografia – macro-fotografia, fotografia de vida selvagem, astro-fotografia – são fundamentais em todos os momentos que tivermos de colocar os joelhos no chão. Experimentem fazer uma saída de campo para fotografar orquídeas e logo percebem o que quero dizer. Para além de impedir que as calças se estraguem ou encham de lama, protegem os vossos joelhos sempre que o terreno é mais irregular que um campo de relva suave. Procurem-nas nos espaços comerciais ligados à jardinagem ou na internet.

galochas

O calçado é outra das peças fundamentais para qualquer fotógrafo que exerça a sua arte em plena natureza e é normalmente bem observado por todos os fotógrafos. Já é raro ver-se pessoas de ténis ou sapatos rasos a fotografar em plena natureza. O que já é mais raro é verem-se fotógrafos de galochas a caminhar pelos campos. Para ser sincero, talvez por gostar de fotografar em zonas húmidas, considero as minhas galochas uma das peças de equipamento mais importantes que possuo e raramente saio de casa sem os dois pares no carro, umas mais curtas, até ao joelho e outras mais altas, até à virilha. Elas permitem-me atravessar pequenos ribeiros com confiança, entrar dentro de lagos e, mais importante que tudo, manter os pés e pernas secas quando a lama é mais do que muita. Também as uso no inverno junto ao mar, já que no verão bastam uns calções e uns sapatos de água. É importante que comprem umas suficientemente altas, pelo menos até ao joelho. Por essa razão, procurem-nas na zona da caça e da pesca e não na zona dos desportos aquáticos.

sacosplastico

No bolso lateral da minha mochila viajam comigo sempre um ou dois sacos de plástico de grandes dimensões, alguns de fecho e uma ou duas toucas de banho que “peço emprestado” nos alojamentos onde fico. Quando começa a chover, são imprescindíveis para que possa continuar a fotografar ou para proteger o equipamento durante uns minutos. Presos com alguns elásticos, podem servir para proteger as objectivas e, juntamente com o para-sol, improvisar uma capa à prova de água.

bolsasneoprene

A minha cabeça de tripé é cara e é um equipamento de precisão muito sensível. Por essa razão, merece ser protegida no terreno. Quantas vezes não se lembra de ter atirado a sua contra o chão e tropeçado com ela contra pedras, árvores e afins? Eu recordo muitas. Por essa razão, resolvi comprar um kit de bolsas em neoprene, almofadadas, que uso para transportar as objectivas, mas também para proteger a cabeça do tripé. Uma solução simples e económica como pode ver aqui.

sacolafecho

A Patrícia, a tal participante do curso de edição que falava no início, faz fotografia de espectáculo. Por essa razão, não pode ter um saco/mochila que use velcros, pois eles fazem barulho que é proibido enquanto alguém está concentrado na sua performance. O mesmo aconteceu comigo quando comprei a sacola para fotografar na rua com o meu sistema mirrorless. Optei pela Think Tank Retrospective que tem a funcionalidade de esconder os velcros, silenciando assim a sacola de modo a poder passar despercebido entre as pessoas. Essa necessidade tão especial da Patrícia fez com que tivesse de escolher uma bolsa com fechos. Tal como fez também que tivesse de procurar um porta-cartões-de-memória com cores florescentes e vivas, fáceis de encontrar no escuro.

lanterna

Ok, este pode ser contado como um gadget mais ou menos tecnológico. Tudo depende daquilo que quisermos adquirir. Eu aconselho a compra de uma lanterna simples, do tipo Maglite, que cabe na palma da mão. Mas também podem optar por um frontal como o que eu tenho. Ambos ocupam pouco espaço na mochila e são fundamentais nas mais variadas situações, desde caminhar à noite antes do nascer ou depois do por do sol, iluminar objectos a fotografar, encontrar e operar equipamento no escuro, etc. Não imagina o jeito que dão e as vezes que vai precisar de um pouco mais de luz.

Acabo este desfilar pelo material não tecnológico do meu equipamento fotográfico voltando à conversa que me fez escrever este artigo. Ficaram curiosos porque é que era preciso o gancho de cabelo? Imaginem que têm uma franja que teima em tapar a ocular da câmara e impedir de ver a cena a retratar. Estão a visualizar? Óptimo! Juro-vos que não mais sairão de casa sem uma dúzia de ganchos na mochila…

E vocês? Que peças de equipamento utilizam que não estão aqui referidas? Partilhem as vossas experiências na zona de comentários. Boas fotos!

2 Comentários

  •    Responder
    Patrícia Blazquez Março 22, 2016 at 9:38 pm

    Fiquei muito contente pela nossa conversa ter inspirado este texto tão útil e tão bem escrito, com a clareza a que já nos habituaste. E sim é verdade, velcros são incompatíveis com a maioria dos espetáculos e fotografar sem ganchos para mim é impensável.

  •    Responder

    Ai Luís, conheço te muito mal mas estou a gostar do que te vais dando a conhecer por aqui. Achei muita piada a este texto e olha que mais uma vez me fez pensar. E não tinha pensado nas joalheiras e não me vejo com umas galochas até ás orelhas, mas tens razão. Falta te falar de uma lenço Ou uma fita para o raio dos cabelos não voarem……beijinho.

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